Os desaires do Ministério da Educação

31-dez-2010por Santana Castilho*

1. As alterações que o sistema de ensino sofreu nos últimos anos oscilaram entre concepções anglo-saxónicas, de raiz empirista, e ideias construtivistas, de inspiração piagetiana. Estas, hipervalorizando as chamadas ciências da educação. Aquelas, hipervalorizando o conhecimento. O equilíbrio entre estes dois extremos não foi a escolha do secretário de Estado João Costa.

Ao Expresso, João Costa foi claro quando afirmou que nalgumas áreas era impossível trabalhar, por falta de horas disponíveis. E disse que a Educação Física, a História e a Geografia eram disciplinas “descalças” de tempo. Quando lhe perguntaram se Português e Matemática perderiam horas, João Costa respondeu que “algumas terão de perder, claro”. Em declarações ao Correio da Manhã, reafirmou a necessidade de tirar de um lado para pôr no outro. Nem de outro modo poderia ser para permitir, como anunciou, que as escolas decidissem 25% do currículo e nele se incluísse a Área de Projecto e a Educação para a Cidadania, sem aumentar a carga semanal global. Do mesmo passo, repetiu várias vezes que as alterações curriculares se aplicariam já no próximo ano e em todas as escolas.

Agora, António Costa, com receio das repercussões que a leviandade provocasse nas eleições autárquicas, e Marcelo, com o paternalismo que o Governo aceita, meteram o secretário de Estado na ordem e desenharam a retirada: não há cortes e a coisa circunscreve-se a 50 escolas voluntárias. A falta de confiança no Ministério da Educação ficou patente. Repetiu-se o calduço do pai Marcelo que, no ano-lectivo passado, levou os garotos da 5 de Outubro a recuarem em matéria de avaliação no ensino básico. Numa palavra, escreveu-se direito por linhas tortas.

A reforma em causa era apressada e demasiado marcada por uma determinada ideologia. Orquestrou o apoio dos amigos (vide a cena amadora do apoio a João Costa, via uma sua adjunta, exposta no Correio da Manhã), mas não cuidou do apoio dos professores e da sociedade, muito menos de prever o impacto que teria na complexidade de todo o sistema de ensino.

A responsabilidade da ética política em que uma reforma educacional deve assentar exige que se procure um consenso partidário. As mudanças desta envergadura devem ter uma duração garantida para produzirem efeitos, devem acomodar processos de transição ponderada e prever uma campanha de comunicação pública, que explique razões (fundamentadas em diagnósticos sólidos, que não em palpites de ministros que foram aos jogos olímpicos), necessidades (assentes em evidências) e objectivos (expressos em linguagem perceptível, que não em “eduquês” de má memória).

2. O novo normativo sobre concursos retoma, com um pouco de cosmética, a visão do anterior governo do PSD/CDS-PP. A entrada nos quadros continua condicionada pela “norma-travão” e pela chamada vinculação “extraordinária”, que não pelo direito conferido por sucessivas contratações. Recorde-se, a propósito, que o PS votou recentemente, ao lado do PSD e CDS-PP, a inviabilização de um projecto de lei do PCP, que previa a obrigatoriedade de incluir em concurso nacional, por lista graduada universal, todos os lugares, com horário completo, que resultassem de necessidades manifestadas pelas escolas durante três anos consecutivos.

No próximo concurso de mobilidade interna teremos professores do quadro de primeira e professores do quadro de segunda. Mais uma vez, a lista universal de graduação é desprezada, agora por um processo de intenções que interpreta, e penaliza, de forma totalitária, decisões anteriores de permanência em quadros de zona pedagógica. Por tudo isto, resulta de um cinismo atroz o “parlapiê” do preâmbulo do Decreto-Lei nº 28/2017, que, significativamente, não colhe a aprovação de nenhum sindicato de professores. Como o anterior, nesta matéria, o Governo encarou a negociação sindical como mero formalismo legal e ficou claro que, quando as incidências orçamentais relevam, as suas prioridades não se afastam do que Crato serviu.

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António Luís Valente Alerta pais e educadores para as virtudes e defeitos das novas tecnologias  

Em entrevista ao EDUCARE.PT, António Luís Valente alerta pais e educadores para as virtudes e defeitos das novas tecnologias. E confessa que se não tivesse sido professor teria sido engenheiro. “Tive sempre uma pré-disposição para pegar nas máquinas e usá-las para potenciar as minhas competências e obrigações profissionais.”

Fonte Educare em: António Luís Valente Alerta pais e educadores para as virtudes e defeitos das novas tecnologias » Educare – O Portal de Educação

A CodeWeek 2016

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A 4ª Semana Europeia do Código está a chegar. Este ano irá decorrer entre os próximos dias 15 e 23 de outubro. A iniciativa é promovida por diversas entidades europeias, das quais se destaca a Comissão Europeia.

Esta iniciativa visa celebrar a criatividade e desmistificar questões relacionadas com a programação, de forma a dar a conhecer, cativar e trazer mais crianças, jovens e adultos para este “mundo”. Atividades, como a da Semana Europeia do Código, têm sido promovidas por todo o mundo, pois apesar de toda a animação e descontração inerentes a estas ações, estima-se que só na Europa no ano de 2020 existam cerca de 825 mil vagas por preencher na área da computação. Assim, facilmente se compreende que as CodeWeeks não surgiram por “geração espontânea”, mas sim focadas no minimizar de um problema.

Portugal não tem ficado de fora desta iniciativa e à semelhança do resto da Europa tem registado um crescimento no número de participantes e de eventos ocorridos nesta semana. Estes dados demonstram que as instituições e cidadãos estão cada vez mais conscientes da importância que a programação tem no presente e que virá a ter no futuro.

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“As crianças têm de ter liberdade para não fazer nada”

“As crianças têm de ter liberdade para não fazer nada”

Álvaro Bilbao é neuropsicólogo e pai de três filhos. Em Portugal para falar do seu livro, explica como conhecer melhor o cérebro pode ajudar-nos a educar melhor

 

Fonte: Expresso | “As crianças têm de ter liberdade para não fazer nada”

“É inacreditável que hoje se passeiam mais os cães do que as crianças”

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Carlos Neto (na fotografia), professor e investigador da Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa, numa entrevista ao Diário de Notícias faz uma análise ao “estado de sedentarismo” das crianças em Portugal.

Para ter acesso à entrevista completa siga o endereço http://www.dn.pt/sociedade/entrevista/interior/e-inacreditavel-que-hoje-se-passeiammais-os-caesdo-que-as-criancas-5409203.html

A Educação na Era Digital

Apresentação (esclarecedora) do Professor António Figueiredo (da Universidade de Coimbra) na conferência “A Educação na Era Digital: Análise de Boas Práticas” que decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian a 21 de julho de 2016.

Mitchel Resnick: “A tecnologia deve levar o aluno a ser um pensador criativo”

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Em 2014, Mitchel Resnick esteve em São Paulo (Brasil) para um evento e a revista “Nova Escola” aproveitou para o entrevistar.

Na entrevista Resnick, que é diretor do Lifelong Kindergarten, do Laboratório de Mídia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), apresenta a sua visão da realidade educativa e aquilo que preconiza para o futuro.

Para ter acesso à entrevista siga o endereço http://revistaescola.abril.com.br/formacao/mitchel-resnick-tecnologia-deve-levar-aluno-ser-pensador-criativo-798255.shtml