Promoção do pensamento crítico nos primeiros anos de escolaridade – Porquê?

FilipeAdmitindo que “o objetivo primeiro da escola e talvez o mais singular é o de promover o desenvolvimento intelectual dos alunos ensinando-os a pensar, crítica e criativamente, para que aprendam eficazmente a tomar decisões face a problemas que os confrontam” (Valente, 1989, p. 41), torna-se imperioso repensar as metodologias didáticas. Aliando a este facto o da sociedade ocidental de hoje apresentar-se em constante mudança, torna-se impossível ter acesso e dominar todo o conhecimento, ou mesmo realizar uma previsão dos que serão úteis no futuro (Tenreiro-Vieira, 2001). Nesse sentido, urge preparar os alunos “para lidar, nos diferentes contextos profissionais, com as novas exigências da sociedade” (Figueiroa, 2014, p.266), assim como dota-los de ferramentas que, devidamente mobilizadas, possam ajudar a ultrapassar dificuldades que o futuro (inevitavelmente) lhes colocará.

Vieira (2003, parafraseando Tenreiro-Vieira, 2001) refere mesmo que “nunca antes houve tanta necessidade de preparar os alunos para enfrentarem o fluxo dinâmico e imprevisível da desatualização de conhecimentos científicos e técnicos” (p. 7).

Outro aspeto que atesta a pertinência da promoção das capacidades de pensamento crítico advém da própria natureza das democracias ocidentais que têm como suporte a cidadania ativa. Isto significa que os cidadãos devem ter capacidade para atuar e para intervir de forma coerente e racional, o que vai ao encontro dos auspícios do pensamento crítico. Segundo Tenreiro-Vieira e Vieira (2001), Ennis (1996) defende que a democracia deve ser encorajada e preservada, implicando cada indivíduo na responsabilidade de tentar tomar decisões racionais, isto é, de tentar pensar criticamente sobre questões cívicas.

A sociedade deste século XXI é marcada também pela rápida disseminação da informação, mas nem sempre proveniente de fontes fidedignas, o que corrobora a necessidade de que o cidadão tenha a capacidade de interpretar e construir o seu próprio conhecimento. O exponencial desenvolvimento científico e tecnológico acarreta a imprescindibilidade de que os indivíduos tomem decisões sobre diversas questões (do foro pessoal, profissional e social), “raciocinando logicamente sobre o tópico em causa de modo a detetar incongruências na argumentação ou no sentido de suspender a tomada de decisão no caso de parecer haver evidência insuficiente para traçar e sustentar uma conclusão” (Tenreiro-Vieira e Vieira, 2001, p. 16).

Vieira e Tenreiro-Vieira (2014, p.52) acrescentam, ainda, que “a investigação que tem vindo a ser realizada nas últimas décadas evidencia que o pensamento crítico pode contribuir para a melhoria da qualidade de vida de cada um e de todos no seu contexto social e cultural”.

Pelo anteriormente elencado, importa dinamizar um processo de ensino e de aprendizagem que inclua dispositivos pedagógicos e didáticos que possibilitem a promoção e o desenvolvimento do PC. Em Portugal, as diretrizes da Lei de Bases do Sistema Educativo (1986) sustentam a importância de desenvolver capacidades de pensamento crítico dos alunos.

No que concerne ao ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico, nomeadamente à área das Ciências, o programa de Estudo do Meio (naturalmente agregador, incluindo Ciências Naturais, História, Geografia, Cidadania) apresenta objetivos gerais que apontam para o desenvolvimento de capacidades de pensamento crítico, por exemplo “utilizar alguns processos simples de conhecimento da realidade envolvente (observar, descrever, formular questões e problemas, avançar possíveis respostas, ensaiar, verificar), assumindo uma atitude de permanente pesquisa e experimentação” (ME, 1990, p. 103).

A promoção de capacidades de PC em contexto curricular acarreta vantagens na formação do aluno. Segundo Browne e Keeley (2000), Abrami et al. (2008) e Genç (2008) (parafraseados em Vieira, Tenreiro-Vieira e Martins, 2011b), estas capacidades poderão ser uteis quando os alunos são solicitados a:

  • react critically to an essay or evidence presented in a text;
  • assess the quality of reading or of discourse;
  • build an argument;
  • write an essay based on previous reading or;
  • participate in class (Vieira, Tenreiro-Vieira e Martins, 2011b, p.45).

 

Moreira, F., (2015). Abordagem da temática das plantas num contexto EDS orientado para o Pensamento Crítico no 1.ºCEB pp. 32-33. Universidade de Aveiro: Aveiro

As referências bibliográficas presentes neste excerto podem ser consultadas no documento completo.

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